Estudo da Fiesc escancara situação de 5 rodovias federais em SC.

Levantamento destaca a situação de 630 quilômetros de cinco BRs e alerta para a necessidade de recursos para melhorar rodovias.

Estudo da Fiesc escancara situação de 5 rodovias federais em SC.

Um estudo divulgado na última quinta-feira (16) pela Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) mostrou que a situação de cinco rodovias federais no estado está agravada e pode piorar no período pós-chuvas. São trechos das BRs 470, 153, 282, 158 e 163.

O orçamento federal para 2024 prevê somente R$ 400 milhões para infraestrutura, que é visto pela entidade como insuficiente diante do quadro dessas rodovias. Neste ano, o orçamento federal foi de R$ 1,3 bilhão, o que, no entendimento da Fiesc, garantiu o bom andamento de obras rodoviárias importantes.

A análise das rodovias, realizada pelo engenheiro Ricardo Saporiti, contempla 630 quilômetros percorridos, e foi feita nos meses de agosto e setembro, ou seja, no período pré-chuvas.

 

O estudo das BRs avaliou fatores como: conservação (eliminação de buracos e melhoramentos da qualidade do estado de conservação) e restauração (adaptações do pavimento prolongando seu período de vida útil).

Outro ponto analisado foi o Programa Crema (Contratação, Restauração e Manutenção), do governo federal. Nesse quesito, foram estudados projetos de engenharia, recuperação funcional e estrutural do pavimento nos contratos de três a cinco anos.

O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, alertou para a importância de destinar emendas parlamentares para garantir a continuidade dos projetos.

“Pedimos aos catarinenses que mobilizem os parlamentares das suas regiões. Isso trará benefícios para a segurança dos usuários, em face ao grande número de acidentes, e para todos os setores econômicos catarinenses, ameaçados pela precariedade da nossa logística”, disse.

O engenheiro Ricardo Saporiti afirma que o estudo foi baseado na fase de manutenção e conservação das estradas federais, não computadas as obras de duplicação e de aumento de capacidade. Ele reforçou que como o trabalho foi feito antes do período chuvoso no Estado, a situação daqueles trechos a situação se agravou.

“Nós constatamos vários segmentos que estão com pavimento bastante deteriorado, apesar do trabalho que o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) tem feito. Mas só que, por falta de recurso ou até de capacidade das empresas, constatamos muitos problemas de pavimento em deterioração, problema de fissura, trincamento de trilhos de roda. Então são problemas assim que preocupam bastante”, comentou.

Saporiti destacou o trecho da BR-163, que vai de Guaraciaba até Dionísio Cerqueira, e o segmento que vai da BR-282, em São Miguel do Oeste até Guaraciaba, que são aproximadamente 18 km. “É um trecho que é muito importante, ele não está sendo objeto ainda de melhoramentos”, ressaltou o engenheiro.

Ele também demonstrou preocupação com os investimentos previstos para este ano. “No exercício de 2023, o DNIT está investindo aqui em torno de R$ 1,3 bilhão, algo que nós não víamos há muitos anos, só que a previsão para 2024 está em torno de 400 milhões, então isso preocupa muito”.

Nova meta para a manutenção de rodovias em SC

O diretor do DNIT em Santa Catarina, Alysson de Andrade, participou de forma online e disse que o trabalho nas rodovias federais avançou este ano tanto na 470 quanto na 280 onde ocorreu um investimento muito significativo de Jaraguá até o entroncamento com a BR-101.

 

Ele destacou que o objetivo do órgão é zerar a carteira de construção e melhorar, substancialmente, os contratos de manutenção. Andrade lembrou que as chuvas atrapalharam os serviços nesses últimos dois meses, principalmente os contratos de construção.

Segundo ele, em 2024, o DNIT quer dar uma nova meta para a questão da manutenção da malha rodoviária federal em Santa Catarina. “O objetivo do ano que vem é zerar o índice péssimo da malha e jogar o índice bom para pelo menos 70%. Essa é a nossa meta aqui dentro. Passamos o ano transformando contratos ruins, contratos com pouco lastro de soluções funcionais para o pavimento para contratos robustos”, salientou.

O diretor do DNIT reforçou que há previsão de recursos para o alteamento de rodovias afetadas pelas enchentes, como por exemplo, em trechos nos municípios de Agronômica e Navegantes. “A gente quer dirimir esses gargalos, porque sabe que as cheias vão voltar. Temos que estar preparados para isso e a manutenção vai continuar sendo a nossa prioridade em 2023 e 2024”, pontuou.

Situação de cada BR analisada

- BR-470: subtrecho Indaial/São Cristóvão do Sul/ Campos Novos/Barracão (288 km)

 

Em setembro, o DNIT abriu processo de licitação para o subtrecho entre Indaial a São Cristóvão do Sul, com investimentos de cerca de R$ 200 milhões (englobando projetos de engenharia, recuperações funcionais e estruturais do pavimento e manutenções).

O pavimento da terceira faixa, executada nas proximidades do acesso a Pouso Redondo (km 172), numa extensão aproximada de 2.500 metros, se encontra recalcando e bastante danificado. No subtrecho entre o acesso de Taió (km 175,6) e Mirim Doce (km 178), a situação do pavimento é de desagregação. O segmento compreendido entre os km 73 e o 75,5 necessita de reparos pontuais no pavimento.

Já nos trechos entre os km 75 e 86 o pavimento apresenta bom estado de conservação. O subtrecho entre Ascurra e Apiúna (km 97) apresenta bom estado de conservação. Entre os acessos de Ibirama e Lontras, o subtrecho apresenta bom estado de manutenção e conservação, bem sinalizado e com terceira-faixa de rolagem.

- BR- 153 (trecho 120 km): Marcelino Ramos (RS)/Concórdia/Irani/ Campina da Alegria/ General Carneiro (PR)

Trecho crítico da BR-153/SC oferece perigo a motoristas – Foto: Ricardo Saporiti/Divulgação/Fiesc

O traçado da rodovia BR-153/SC é bastante sinuoso e está apresentando a formação de trilhas de rodas nos aclives. Outro ponto que chama a atenção é a situação precária, de longa data, das juntas de dilatações da ponte sobre o Rio Uruguai. O segmento entre as localidades de Irani, Vargem Bonita, Campina Grande e a divisa entre Santa Catarina e Paraná, numa extensão aproximada de 59 km, está passando por obras e serviços de revitalização.

 

- BR-282 (trecho 111 km): Cordilheira/Alta/Pinhalzinho/Maravilha/São Miguel do Oeste

BR-282 racha no Oeste de SC – Foto: Ricardo Saporiti/Divulgação/Fiesc

Ao longo de 4.500 metros do perímetro urbano de Pinhalzinho, o pavimento apresenta vários pontos necessitando de restaurações. Entre os quilômetros 554 e 556, o pavimento está bastante deteriorado, enquanto entre os quilômetros 568 e 572, observam-se vários remendos efetuados no trecho. O subtrecho da BR-282, entre Cordilheira Alta, Nova Itaberaba e Nova Erechim, numa extensão aproximada de 43 km, foi recentemente restaurado e sinalizado, inclusive as terceiras faixas.

- BR-158 (trecho 49 km): Maravilha/Cunha Porã/Palmitos/Iraí (RS)

Asfalto da BR-158/SC acumula poças de água em dias de chuva – Foto: Ricardo Saporiti/Divulgação/Fiesc

No quilômetro 100, há desagregação do pavimento; do km 100 ao 104, a pista tem buracos, afundamentos e recalque do pavimento – essa situação também é encontrada nos quilômetros 142, 139 e no trevo de acesso a Palmitos. No km 135,5, na cabeceira do rio Lajeado Branco, há buraco e afundamento na pista.

O estudo destaca que há expectativa de execução das obras de construção da interseção das BR- 282 e 158 e recomenda agilidade na contratação de estudos e projetos executivos, relativos à implantação e à pavimentação do prosseguimento da BR-158, no segmento entre a BR-282 (Maravilha) e São Lourenço do Oeste, passando por Bom Jesus do Oeste e Campo Erê, posteriormente seguindo para Vitorino e Pato Branco, ambas no Paraná.

BR-163/SC – BR-282 (trecho 62 km): (São Miguel do Oeste/Guaraciaba/São José do Cedro/Guarujá do Sul/Dionísio Cerqueira (divisa internacional de Brasil e Argentina):

Viaduto se encontra abandonado entre as rodovias BR-163 e BR-282 em SC – Foto: Ricardo Saporiti/Divulgação/Fiesc
Num trecho de 18 quilômetros de extensão que vai de São Miguel do Oeste a Guaraciaba, há diversos pontos da pista com buracos, afundamentos e recalque do pavimento da rodovia.

 

A análise mostra que a situação é precária e necessitando, a curto prazo, de um novo traçado que possibilite o desvio do tráfego pesado do perímetro urbano de São Miguel do Oeste.

Também há um viaduto, no acesso a Paraíso, em estado de abandono. No trecho de 44 quilômetros, que vai de Guaraciaba/São José do Cedro/Guarujá do Sul a Dionísio Cerqueira, há execução de segunda pista, em pavimento rígido, nos km 90, 118 e 112,3.

Outro ponto destacado no estudo são as obras e os serviços de restauração da BR-163, no trecho de São Miguel do Oeste a Dionísio Cerqueira. Atualmente, as obras estão concentradas entre Guaraciaba e Dionísio Cerqueira, passando por São José do Cedro e Guarujá do Sul, numa extensão aproximada de 44 km.

O subtrecho São Miguel do Oeste a Guaraciaba, na extensão de 18 km, incluindo a interseção com a BR-282 (acesso a Paraíso e divisa internacional com a Argentina), não está sendo, até o momento, objeto das atuais obras de restaurações e melhoramentos de rodovias.

Este último subtrecho está em situação muito precária, necessitando, a curto prazo, de um novo traçado que possibilite o desvio do tráfego pesado do perímetro urbano de São Miguel do Oeste.

 
 
 
Fonte: ND+
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